Promoção 7 dias!

July 12, 2008 - Comments Off

Todas as semanas temos uma obra em promoção.
Essa promoção durará exactamente 7 dias! Findo esse período, caso a peça não tenha sido vendida, voltará ao seu preço normal.
Aproveitem, portanto!

Nesta semana, juntamos duas peças muito interessantes. Dois jogos de xadrez cuja proveniência é sul-americana, mas de países bem diferentes: Brasil e Perú. Também os seus materiais divergem: Madeira e barro. Convergem só na beleza e na concepção: ambos são feitos à mão.
Na compra das duas obtém-se um desconto superior a 30%! Ou seja, muito abaixo do preço de mercado!

(Clique nas imagens para as ampliar)

____________

1)

**
NOME: Xadrez Peruano
ORIGEM: Perú
ARTISTA: Desconhecido
DATA: 1988
MATERIAL: Madeira
DIMENSÕES: Alt: 14 cm x Larg: 30 cm x Prof: 30 cm
NOTAS: Jogo artesanal, feito à mão. Nunca foi usado.

____________

2)

**
NOME: Jogo de Xadrez
ORIGEM: Alto do Moura, Caruarú, Pernambuco, Brasil
ARTISTA: António Rodrigues (filho do mestre Zé Caboclo)
DATA: 2000
MATERIAL: Barro cozido e tintas acrílicas
DIMENSÕES: Alt: 6 cm x Larg: 22 cm x Prof: 22 cm

[ + info ]

____________

CUSTO DO PAR:

1 + 2 = 100€ (em vez de 150€)

Objectos de culto

February 26, 2008 - No Responses

A título de manifesto do que será a filosofia e a acção da UpArt, servimo-nos de um texto recente de Tiago Coen – nosso amigo e cliente – que explana na perfeição a nossa forma de viver a arte nos dias que correm.

___________

SER E TER

A posse de um objecto de culto como elemento identitário é algo que parece ser próprio da natureza humana.

Temos o que somos?
Desde sempre que o homem recolhe, colecciona e cultiva objectos, essencialmente pelo exotismo, pela religiosidade e pelo saudosismo que eles contêm e deles emana. Uma prática inicialmente alheada de quaisquer preocupações científicas ou museológicas, muitas vezes movida por rituais bizarros ou secretos, mas que, na maioria dos casos, tem a ver só com a descoberta de uma identificação pessoal com os objectos em causa.
São objectos que na sua essência mantêm intactas as premissas de pureza, simplicidade e genuinidade que tão ansiosamente buscamos, de forma infrutífera, nas pessoas com quem nos relacionamos. Nos antípodas, podem corporizar toda a espécie de complexos, fantasmas e fetiches, que secretamente nos atormentam e que de uma maneira ou de outra nos esforçamos por exorcizar.

Somos o que temos?
No que diz respeito aos objectos artísticos, estes relacionam-se intíma e afectuosamente com o seu proprietário ou conservador, coisa que não parece acontecer com outros tipos de objectos de culto, como relógios, carros, telemóveis – estes são cultivados por mera exibição ou ostentação de status. Não quer isto dizer que no culto deste tipo de objectos não se verifique igualmente uma boa dose de afectividade – basta pensar nos aficionados do Citroën 2CV ou do VW “carocha” para o perceber –, da mesma forma que no que concerne ao culto de objectos artísticos o facto status não se evidencie também. Não! – ele existe e é cada vez mais patente no mercado oficial de arte.
A ostentação sempre foi umas das maneiras menos elegantes de tentar fazer vingar o poder que se tem, qualquer que ele seja. Mas nunca como no séc. XXI – o século em que a vaidade vai à feira! – se assistiu a uma tal demonstração de pobreza de espírito, e de uma forma tão democratizada! Pela primeira vez, a manifestação ostensiva de status é transversal a todo o espectro das classes sociais, desde a aristocracia ao proletariado. Todos têm acesso, hoje, à exibição de uma caneta Mont Blanc Diplomat, de um fato Armani ou de um relógio Cartier Tank, mesmo que não passem de pechisbeques contrafeitos na distante Ásia! É triste que o mundo ocidental pretenda, do oriente, somente o pior que ele tem para nos oferecer: a exploração esclavagista das suas populações e o mais material das suas criações!

Ter para ser
Interessa-nos aqui, todavia, uma outra ordem de objectos: estes são avaliados e valorizados apenas pela relação afectiva que têm com os seus proprietários. Assim também se define a sua cotação – não no mercado, mas num círculo restrito de iniciados, unidos por códigos aparentemente imperceptíveis, mas perfeitamente claros para os que dele fazem parte. São objectos pelos quais se mantém uma relação que ultrapassa a compreensão da maioria das pessoas, mas que faz a delícia de todos quantos a cultivam.
Uma boneca de madeira da Ti Guilhermina, de Vila Flor, ainda não faz parte do acervo de nenhum museu ou galeria, mas quem a possui não se separa dela por nada deste mundo!
Da mesma forma, quem possui uma boneca Venavi (Togo/Ghana) nutre por ela um carinho tão intenso quanto o gémeo africano que a possuiu na origem, ainda que por razões bem diferentes.

Ser para ter
Se haverá objectos cujo carácter único os tornam verdadeiras jóias da coroa e por isso de custo avultado, muitos outros haverá em que não será pelo seu custo que se inviabilizará a sua aquisição. Não é tanto pelo carácter mais ou menos valioso das peças coleccionadas, antes pelo carácter menos ou mais ambicioso do coleccionador que uma colecção satisfaz o seu proprietário. Há quem se contente com um fac-símile de um rascunho de uma obra de Picasso e outros que não descansam enquanto não adquirirem a “Guernica”, ela mesma!
Num objecto de culto, cada pessoa tem a oportunidade de revelar para si uma parcela misteriosa do nosso mundo. Nele é possível encontrar muitas das pistas denunciadoras das nossas origens, assim como os sinais vitais do que poderemos vir a ser um dia.

Tiago Coen, Jan 2008