JÚLIA CÔTA (Manhente, Barcelos, Portugal)
Depois do sucesso do destaque feito a Joaquim Paiva, a nossa segunda aposta só podia recair sobre Júlia Côta, uma escultora popular de Barcelos e uma das nossas favoritas de sempre.
Para Tiago Coen, nosso consultor e amigo, “ela é a mais criativa, mais espontânea e mais imaginativa de todos os artistas figurativos portugueses ainda vivos. A arte de Júlia Côta é, como a da mãe, uma arte atravessada, louca e muito bruta! Uma brutalidade bela e estonteante, própria de quem tem génio à nascença e só ao alcance dos que percebem, de forma natural, a essência das coisas.”
ARTE “CÔTA”: UM MUNDO FANTÁSTICO
O clã dos Côto já leva três gerações dedicadas à arte popular.
Os olhos de Júlia emudecem-se quando se fala no futuro da arte “Côta”. Na linhagem, foi a única a dar continuidade à tradição iniciada, no século XIX, pelo avô Domingos, que muitos acreditam ter sido o autor do primeiro exemplar do afamado Galo de Barcelos. Mulher de emoções fáceis, Júlia, de 71 anos, lamenta não ver na família quem lhe herde a arte e quem imortalize em barro o nome dos “Côtos”. “Tenho muita pena por não ter quem continue com isto, mas o que é que eu vou fazer?!”, interroga-se.
Dos sete filhos, João “tinha umas mãos de prata, mas emigrou para o estrangeiro à procura de uma vida melhor” – explica – “porque, hoje em dia, o artesanato não dá para viver”. “Sinto-me muito triste por não o ter na minha companhia…”, acrescenta. Também os netos “têm seguido a vida deles, não querem saber disto para nada…”, lastima. “Penso que, morrendo eu, as minhas peças acabam”, analisa friamente.
Seis décadas entre o barro
Júlia da Rocha Fernandes de Sousa, vulgo Júlia “Côta”, nasceu no seio de uma das famílias mais conceituadas do artesanato regional. Iniciou-se nas lides da cerâmica em tenra idade. “Comecei a estragar barro aos 9 anos”, relembra. Dos oito filhos de Rosa “Côta” – uma das mais importantes artesãs nacionais e das que mais enobreceu a arte do figurado barcelense – Júlia era, já na altura, quem mais talento demonstrava para a arte. Começou por ajudar a moldar alguns acrescentos, como sapatos ou corninhos, para as peças da mãe. Mais tarde, já depois de casada, trabalhou durante um ano numa fábrica, onde se dedicava à pintura de galos. Entretanto, os pais convidaram-na para trabalhar com eles: “Ao início pagavam-me 15 tostões à hora, mas depois, como viram que eu tinha muito jeito para aquilo, dobraram-me o dinheiro. O trabalho rendia-me tanto que me deram sociedade”, lembra orgulhosa.
O choque aconteceu quando a mãe Rosa faleceu e Júlia teve que tomar conta da actividade sozinha. “Foi um grande sacrifício, chorei e sofri muito, porque tudo me lembrava dela…”, refere. Religiosa assumida, a artesã diz que foi Deus que a iluminou e lhe deu forças para continuar com o encargo. “Era a minha missão”, considera.
Já lá vão mais de sessenta anos a trabalhar no barro. Mas Júlia não se sente cansada. Quer continuar a “acarinhar” o barro até que as mãos já não o permitam mais. Não consegue estar muito tempo sem criar, sem bulir no barro: “Estive muito doente ultimamente, como não podia vir para aqui [atelier], até me doía a alma, menina!”. Idealmente, o seu dia-a-dia tem que ser passado na mesa de trabalho, pois é onde se diz “sentir bem”.
Mundo fantástico, alegre e colorido
Júlia “Côta” desenvolveu um estilo de figurado muito particular, dando corpo a um “mundo fantástico, alegre e colorido”, traços que caracterizam precisamente a sua personalidade. Diz ser uma mulher “autêntica, divertida e aberta”.
A barrista, natural de Galegos Santa Maria, mas a residir em Manhente há 33 anos, cria figuras variadas, mas as bonecas grandes são as suas preferidas. “Adoro fazê-las e pintá-las, nunca faço uma igual à outra”. Umas barrigudas, outras nem tanto, as bonecas são a sua imagem de marca. A que mais gozo lhe deu fazer e que não vendia por dinheiro algum é a “Boneca Peixeira”, criada há já sete anos, com cerca de meio metro de altura. “Nunca mais fiz outra igual”. Mas porquê? “Não sei, não sei explicar, a verdade é que nunca consegui, vou para a mesa de trabalho e o que sair, sai”, explica. Mas nem só de bonecas vive Júlia: galos, galinhas, mochos, diabos, bandas de música, santos populares, deuses, cabeçudos, entre outras, também fazem parte do vasto espólio da ceramista.
Analfabeta mas de uma imaginação prodigiosa, Júlia aprendeu a assinar as suas peças “com uma senhora de Barcelos. “Mal feito, mas vou fazendo”, afirma enquanto pega na esferográfica e rabisca as letras JC.
Filipa Oliveira
in Jornal “Barcelos Popular”, 11 de Outubro de 2007
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EXPOSIÇÃO/VENDA
De Júlia Côta, a UpArt disponibiliza aqui duas dezenas de peças, as mais recentes que ela criou.
Na secção Objectos pode encontrar mais peças de Júlia Côta, para além das que constam nesta página.
Classificação dos objectos:
*** = Muito raro
** = Raro
* = Acessível
(Clique nas imagens para as ampliar)
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NOME: Casal de Diabos
ORIGEM: Barcelos, Portugal
ARTISTA: Júlia Côta
DATA: 2008
MATERIAL: Barro, Tintas
DIMENSÕES: Alt: 40 cm x Larg: 15 cm x Prof: 14 cm (cada)
PREÇO: Vendido
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NOME: S. João (anão)
ORIGEM: Barcelos, Portugal
ARTISTA: Júlia Côta
DATA: 2008
MATERIAL: Barro, Tintas
DIMENSÕES: Alt: 40 cm x Larg: 15 cm x Prof: 14 cm
NOVO PREÇO: 90€
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NOME: S. João (grande)
ORIGEM: Barcelos, Portugal
ARTISTA: Júlia Côta
DATA: 2008
MATERIAL: Barro, Tintas
DIMENSÕES: Alt: 65 cm x Larg: 22 cm x Prof: 16 cm
NOVO PREÇO: 100€
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NOME: S. António (grande)
ORIGEM: Barcelos, Portugal
ARTISTA: Júlia Côta
DATA: 2008
MATERIAL: Barro, Tintas
DIMENSÕES: Alt: 52 cm x Larg: 18 cm x Prof: 14 cm
PREÇO: Vendido
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NOME: Coreto
ORIGEM: Barcelos, Portugal
ARTISTA: Júlia Côta
DATA: 2008
MATERIAL: Barro, Tintas
DIMENSÕES: Alt: 26 cm x Larg: 30 cm x Prof: 30 cm
PREÇO: Vendido
NOTAS: Coreto + 12 músicos soltos.
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NOME: Santa Joana
ORIGEM: Barcelos, Portugal
ARTISTA: Júlia Côta
DATA: 2008
MATERIAL: Barro, Tintas
DIMENSÕES: Alt: 34 cm x Larg: 17 cm x Prof: 17 cm
PREÇO: Vendido
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NOME: S. Pedro (médio)
ORIGEM: Barcelos, Portugal
ARTISTA: Júlia Côta
DATA: 2008
MATERIAL: Barro, Tintas
DIMENSÕES: Alt: 34 cm x Larg: 14 cm x Prof: 10 cm
NOVO PREÇO: 50€
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NOME: Jardim dos Mijões
ORIGEM: Barcelos, Portugal
ARTISTA: Júlia Côta
DATA: 2008
MATERIAL: Barro, Tintas
DIMENSÕES: Alt: 26 cm x Larg: 25 cm x Prof: 25 cm
PREÇO: Vendido
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NOME: Boneca (média)
ORIGEM: Barcelos, Portugal
ARTISTA: Júlia Côta
DATA: 2008
MATERIAL: Barro, Tintas
DIMENSÕES: Alt: 34 cm x Larg: 22 cm x Prof: 22 cm
PREÇO: Vendida
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NOME: Boneca (pequena)
ORIGEM: Barcelos, Portugal
ARTISTA: Júlia Côta
DATA: 2008
MATERIAL: Barro, Tintas
DIMENSÕES: Alt: 23 cm x Larg: 13 cm x Prof: 15 cm
PREÇO: Vendida
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NOME: Casal de Galos de Barcelos
ORIGEM: Barcelos, Portugal
ARTISTA: Júlia Côta
DATA: 2008
MATERIAL: Barro, Tintas
DIMENSÕES: Alt: 19 cm x Larg: 10 cm x Prof: 14 cm (cada um)
PREÇO: Vendido
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NOME: Presépio (grande)
ORIGEM: Barcelos, Portugal
ARTISTA: Júlia Côta
DATA: 2008
MATERIAL: Barro, Tintas
DIMENSÕES: Alt: 19 cm x Larg: 25 cm x Prof: 18 cm
PREÇO: Vendido
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NOME: Cristo
ORIGEM: Barcelos, Portugal
ARTISTA: Júlia Côta
DATA: 2008
MATERIAL: Barro, Tintas
DIMENSÕES: Alt: 28 cm x Larg: 18 cm x Prof: 6 cm
NOVO PREÇO: 25€
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NOME: Mocho com Flor
ORIGEM: Barcelos, Portugal
ARTISTA: Júlia Côta
DATA: 2008
MATERIAL: Barro, Tintas
DIMENSÕES: Alt: 16 cm x Larg: 8 cm x Prof: 8 cm
PREÇO: Vendido
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NOTA:
Na secção Objectos pode encontrar mais peças de Júlia Côta, para além daquelas que constam nesta página.




















































