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Arte Marrakchi e Tuareg



De uma viagem que nos levou dos souks mais recônditos
da medina de Marrakech ao Sahara Ocidental, passando por Essaouira (antiga Mogador portuguesa), uma enorme variedade de objectos raros e antigos, para delícia dos coleccionadores mais exigentes.

Nada de marroquinarias de feira para turistas — só peças antigas, de proveniência marrakchi e tuareg, e escultura e pintura naïf de artistas completamente arredados dos grandes centros urbanos.

Ver as peças todas aqui

Pintura Naïf Marroquina

Da região de Essaouira, antigo porto português, na altura denominado Mogador, a arte única de dois pintores auto-didactas em destaque:
Mostafa Assadeddine e Mohamed Erraad.

Assadeddine tem um estilo pontilhista naïf e temas característicos do simbolismo africano, enquanto que Erraad faz uma arte bruta, composta por personagens animalescas e fantasmagóricas, inspirada nas festas e nos ritos tradicionais.
Ver todas as obras na página Pintura Naïf.

Anouar Smarrai, um artista naïf reciclista, jovem e tímido, ressuscita ferro-velho impregnando-o de magia.
Cria crocodilos a partir de velhas correntes de bicicletas, ou, então, parte de um bule tuareg marcado pelo tempo, solda-lhe uns rolamentos gastos do uso e inventa uma galinha nova. Garfos, colheres, parafusos, torneiras, fechaduras, molas, tesouras, roldanas — todo o tipo de materiais de ferro velho, prontos para a sucata, são reutilizados por Anouar, que lhes dá uma outra vida.
Descubra a arte deste marroquino de Essaouira na página Marrocos – Escultura Naïf.

A Arte Bruta de Júlia Côta

Casal de Diabos

Depois do sucesso do destaque feito a Joaquim Paiva, a nossa segunda aposta só podia recair sobre Júlia Côta, uma das nossas favoritas de sempre.
Para Tiago Coen, nosso consultor e amigo, “ela é a mais criativa, mais espontânea e mais imaginativa de todos os artistas figurativos portugueses ainda vivos. A arte de Júlia Côta é, como a da mãe, uma arte atravessada, louca e muito bruta! Uma brutalidade bela e estonteante, própria de quem tem génio à nascença e ao alcance só dos que percebem, de forma natural, a essência das coisas.”

Saiba tudo sobre a artista em Júlia Côta.

Joaquim Paiva: o verdadeiro naïf!

Adão e Eva

O nosso primeiro destaque vai para Joaquim Paiva, um surpreendente artista auto-didacta de 77 anos, cujo trabalho materializa em absoluto o arquétipo naïf.
Do calibre de Rosa Ramalho, Mistério ou Ti Guilhermina, a sua arte, materializada em esculturas figurativas em madeira, é duma autenticidade ímpar e duma inventividade sem limites.
Descubra-o aqui!

Objectos de culto

A título de manifesto do que será a filosofia que norteia a acção da UpArt, servimo-nos de um texto recente de Tiago Coen – nosso amigo, colaborador e cliente – que explana na perfeição a nossa forma de viver a arte nos dias que correm.

SER E TER

A posse e o culto de objectos de arte ou de design como elementos identitários é algo que parece ser próprio da natureza humana.

Temos o que somos?
Desde sempre que o homem recolhe, colecciona e cultiva objectos, essencialmente pelo exotismo, pela religiosidade e pelo saudosismo que eles contêm e deles emana. Uma prática inicialmente alheada de quaisquer preocupações científicas ou museológicas, muitas vezes movida por rituais bizarros ou secretos, mas que, na maioria dos casos, tem a ver só com a descoberta de uma identificação pessoal com os objectos em causa.
São objectos que, na sua essência, mantêm intactas as premissas de pureza, simplicidade e genuinidade que tão ansiosamente buscamos, de forma infrutífera, nas pessoas com quem nos relacionamos, ao mesmo tempo que, nos antípodas, podem corporizar toda a espécie de complexos, fantasmas e fetiches, que secretamente nos atormentam e que de uma maneira ou de outra nos esforçamos por exorcizar.

Somos o que temos?
No que diz respeito aos objectos artísticos, estes relacionam-se íntima e afectuosamente com o seu proprietário ou conservador, coisa que não parece acontecer com outros tipos de objectos de culto, como relógios, carros, telemóveis – que são cultivados por mera exibição ou ostentação de status. Não quer isto dizer que no culto deste tipo de objectos não se verifique igualmente uma boa dose de afectividade – basta pensar nos aficionados do Citroën 2CV ou da Triumph Thunderbird 1950 para o perceber. Da mesma forma que, no que concerne ao culto de objectos artísticos, se deixe de evidenciar o factor status – também aí ele existe e é cada vez mais patente no mercado oficial de arte.
A ostentação sempre foi uma maneira pouco elegante de tentar fazer vingar o poder que se tem, qualquer que ele seja. Mas nunca como no séc. XXI – o século em que a vaidade vai à feira – se assistiu a uma tal demonstração de ausência de carácter. E de uma forma tão democratizada. Pela primeira vez, a manifestação ostensiva de status é transversal a todo o espectro das classes sociais, desde a aristocracia ao proletariado. Todos têm acesso, hoje, à exibição de uma caneta Mont Blanc Diplomat, de um fato Armani ou de um relógio Cartier Tank, mesmo que não passem de pechisbeques contrafeitos na distante Ásia. E é triste verificar que o mundo ocidental pretenda do Oriente somente o pior do que ele tem para nos oferecer, como é o caso da exploração esclavagista das suas populações e o menos espiritual das suas realizações.

Ter para ser
Interessa-nos, todavia, relevar aqui uma outra ordem de objectos: aqueles que são avaliados e valorizados apenas pela relação afectiva que têm com os seus proprietários. Assim também se define a sua cotação – não no mercado, mas num círculo restrito de iniciados, unidos por códigos aparentemente imperceptíveis, mas perfeitamente claros para os que dele fazem parte. São objectos pelos quais se mantém uma relação que ultrapassa a compreensão da maioria das pessoas, mas que faz a delícia de todos quantos os cultivam.
Uma boneca de madeira da Ti Guilhermina, de Vila Flor, ainda não faz parte do acervo de nenhum museu ou galeria, mas quem a possui não se separa dela por nada deste mundo. Da mesma forma, quem possui uma boneca Venavi (Togo/Ghana) nutre por ela um carinho tão intenso quanto o gémeo africano que a possuiu na origem, ainda que por razões bem diferentes.

Ser para ter

Se haverá objectos cujo carácter único os tornam verdadeiras jóias da coroa e por isso de custo avultado, muitos outros haverá em que não será pelo seu custo que se inviabilizará a sua aquisição. Não é tanto pelo carácter mais ou menos valioso das peças coleccionadas, antes pelo carácter menos ou mais ambicioso do coleccionador que uma colecção satisfaz o seu proprietário. Há quem se contente com um fac-símile de um rascunho de uma obra de Picasso e outros que não descansam enquanto não adquirirem a “Guernica”, ela mesma.

Este “ser e ter” compulsivo em permanente dialética permite-nos a assunção de que, no culto de um objecto, cada pessoa tem o privilégio e a oportunidade de revelar só para si uma parcela dos grandes mistérios do mundo. E que, em cada um desses objectos, é possível encontrar muitas das pistas denunciadoras das nossas origens mais remotas, assim como vislumbrar os sinais vitais dos nossos rumos mais pósteros.

Tiago Coen